No longínquo dia 30 de setembro de 2007 a FIFA anunciava na sua sede em Zurique que o país escolhido para sediar a vigésima copa do mundo seria o Brasil. Os meios de comunicação noticiaram como se fosse a oitava maravilha do mundo. Em muitas capitais houve festejos. O povo em êxtase quedou-se maravilhado. Passados 64 anos – número que ficou marcado na cabeça de muitos brasileiros como sendo um marco negativo – teríamos novamente uma copa do mundo em solo pátrio e a possibilidade de apagarmos da memória a tragédia de 50. Poucas vozes foram contrárias, e as que se levantaram contra foram taxadas de apatrióticas. Decorridos 04 anos do anúncio começam a estourar denúncias de corrupção, desvios de verbas, escândalos, obras superfaturadas, etc... . Mas somente um verdadeiro imbecil não teria a certeza de que tais fatos iriam acontecer. O exemplo estava colado na parede mas ninguém queria ver. O Pan-americano disputado no Rio no mesmo ano do anúncio teve seu orçamento inicial estourado em 10 vezes. Isso que o Pan teve apenas uma sede. Imaginem agora a copa do mundo, com 14 sedes. O orçamento atual do evento gira em torno dos 112 bilhões de reais. Não é mentira não ( copiando o bordão da Dona Jura). São 112 bilhões de reais para 30 dias de eventos. Para se ter uma idéia, Manaus que não possui nenhum time de futebol de grande expressão terá um estádio de 500 milhões de reais. Um verdadeiro elefante branco no meio da Amazônia. 500 milhões de reais que teriam mais utilidade se fossem colocados em pesquisas de novos medicamentos com plantas da selva Amazônica. Cuiabá também receberá um estádio de 500 milhões de reais. Dinheiro que poderia ser mais bem utilizado em pesquisas no Pantanal. Somente com esses exemplos somamos um bilhão de reais postos fora. Sim, por que o turismo atraído por essas cidades não compensará o investimento feito pelo governo nos estádios. Mas o que mais me chateia não é a população, mas sim a imprensa que tudo sabe e queda silente. Nunca levantou a bandeira de que Copa do Mundo é coisa de país desenvolvido. Vislumbrou apenas o lucro futuro com a publicidade das empresas de bebidas e veículos. Simplesmente noticia os escândalos. Em nenhum momento levanta a questão de que não temos capacidade de organizarmos tal competição. O tempo, que é o senhor de tudo, nos mostrará o quanto à copa vai nos custar. Quantos hospitais, escolas, creches, etc.. foram jogados foras. Parafraseando o hino da copa de 70, podemos cantá-lo da seguinte forma agora: Cento e dezoito bilhões em ação, pra frente Brasil, salve a nossa seleção, novamente é aquela corrente, pra frente Brasil, todo mundo metendo a mão...
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
sábado, 10 de setembro de 2011
Patrão, tá boa a .........
Demorei a voltar a escrever por que estava nas merecidas férias, e como se sabe férias são para não se fazer nada. E este ano eu levei ao pé da letra. Foram dez dias maravilhosos. Nunca havia tirado férias dessa forma. Sem erguer um dedo para nada. Um verdadeiro come e dorme. O sul da Bahia é propício para isso. Os baianos, com seu jeito manso e calmo nos transmitem paz. Em Porto Seguro não há pressa. Tudo é feito ao seu tempo. O dia é parado, a brisa é calma e o mar é manso. Levantar sem ter algo programado para fazer. Foi inédito para mim. Celular desligado. O mundo não existia literalmente, pois nem a internet pegava direito. Agradeci aos céus. É uma paz interior regada a muita água de coco e peixe, não esquecendo da cerveja gelada, que foi o único hábito que levei daqui para essas férias. Afinal ninguém é de ferro. E o tratamento dispensado na beira da praia? Me senti um Senhor de Engenho. Era um tal de: “Patrão quer mais uma água”, “Patrão, a sombra ta boa?”, “Patrão, posso trazer o almoço? Me senti como um sultão. Mas como tudo que é bom tem um certo preço, mês que vem estou adiando a abertura da caixa de correio. Não quero me encontrar com faturas de cartões. Devem vir recheadas. Afinal, a única pergunta que me faziam era: Vai pagar em dinheiro, visa ou master? Sim, por que cheque baiano não aceita não Patrão.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
VAI ALGEMAR? PERGUNTE ANTES QUEM ELE É....
Criei-me vendo filmes na televisão e no cinema. Adorava filmes policiais. Neles os bandidos sempre que eram presos saiam algemados. Aquelas cenas me traziam uma sensação de segurança. Colocadas as algemas, o bandido não era mais uma ameaça. A polícia havia cumprido seu papel e a justiça triunfara. Poderia até dizer que as algemas transmitiam a própria sensação da justiça, salvo para alguns mais sádicos em que elas transmitem sensação de prazer. Como não faço parte destes fico com a primeira. Mas esta sensação de justiça, aquele último resquício, parece estar com os dias contados para uma parcela da população. E não é preciso nem responder para qual. O amigo que está lendo este modesto texto e não foi afortunado pelo destino com cifras polpudas ou amigos influentes continuará a usá-las caso cometa algum ilícito penal. No chavão popular, um crime. Mas para a pequena parcela afortunada da sociedade algemas somente serão usadas nas alcovas íntimas, onde não trarão sensação de justiça, mas sim, de delícia. Sim, por que agora, antes de algemar o bandido, a polícia deverá perguntar qual a sua posição social. Se for do alto clero, cuidado. As algemas podem sair dos braços do algemado para os do algemante num piscar de olhos. Não é brincadeira. Quem dera fosse. Hoje mesmo li no jornal que o Ministro da Justiça solicitou que a polícia explicasse se as algemas foram usadas de forma correta. Caso for constatado o uso incorreto das algemas, o policial que fez uso delas erroneamente poderá responder. O que me intriga nisso tudo é que nunca vi um Ministro da Justiça solicitando explicações à polícia quando da prisão do Zezinho da vila. Nesse tasca a algema e pronto. Afinal as algemas e o código penal foram feitos sob medida para ele. Por isso digo que se vai algemar, pergunte antes quem ele é. Se não tiver certeza, guarde-as para usar com a amada. É mais seguro.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Caldo Verde. Um Santo Remédio para os Dias Frios.
Nesses dias em que o frio bate em nossas portas, nada melhor para aquecer do que uma boa lareira, um belo fogão à lenha ou até mesmo um aquecedor elétrico. O ambiente fica mais aconchegante e gostoso. Aliados a eles nas noites frias uma boa pedida são as sopas. Fugindo um pouco da tradicional sopa de aignoline que está presente em nove de cada dez casas caxienses, trago hoje a receita de uma sopa de origem portuguesa. O caldo verde. Tradicional na cozinha lusitana, caiu como uma luva no nosso rio grande, onde o clima frio é tradicional. Como o frio torna a arte de digitar algo difícil, paramos por aqui com o trololó e vamos à receita, a qual adaptei ao meu gosto.
Para 04 pessoas você vai precisar de:
- 01 gomo de paio
- 01 gomo de lingüiça calabresa defumada
- 01 cebola média picadinha
- 01 dente de alho amassado
- 02 batatas grandes ou 04 pequenas cortadas em rodelas finas
- 01 maço de couve picadinho bem fininho
- 1,5 litro de caldo de carne ou galinha ( se não tiver use 1,5 de água fervente e 01 tablete de caldo)
- 02 colheres de farinha de trigo
- 02 colheres de azeite
- Sal e pimenta a gosto ( cuidado que a lingüiça, o paio e caldo já tem sal)
Opcional:
- 01 xícara de ervilhas congeladas
- 02 colheres de azeitonas verdes picadinhas
Em um caldeirão aqueça o azeite e frite o paio e a calabresa. Quando estiverem dourando junte a cebola e após o alho e refogue bem. Após as batatas e deixe fritar um pouquinho. Por fim coloque a farinha de trigo e mexa bem para não empelotar. Após jogue por cima o caldo ou a água fervente (se usar a água fervente não esqueça o tablete de caldo). Deixe cozinhar até a batata estar cozida. Coloque a ervilha e cinco minutos após a couve. Deixe cozinhar rapidamente e desligue. Coloque a pimenta e apure o sal.
Sirva em cumbucas decoradas com as azeitonas picadas, fios de azeite de oliva e torradinhas.
Proporciona um calor no corpo que você terá vontade de sair dançando e cantando “ é uma casa portuguesa com certeza...”
Acompanha um bom cálice de tinto português.
Buono Apetit.
domingo, 7 de agosto de 2011
Minha Casa Minha Vida (ou seria Dívida)
Criado pelo governo federal para ser a solução de moradia para as famílias de classe mais baixa, o programa Minha Casa Minha Vida caminha para uma mudança no seu nome. Em pouco tempo o programa será chamado de Minha Casa Minha Dívida. E o que leva a essa conclusão. A baixa qualidade das obras. Apartamentos e casas que com menos de um ano de uso apresentam rachaduras, infiltrações, mofo, vazamentos, mau cheiro, etc... O morador se vê num beco sem saída afinal diferente de uma casa de aluguel, nesta o imóvel é seu, logo, a perspectiva de mudança é pequena. Além disso, na maioria das vezes o financiamento é de 30 anos, razão pela qual o mutuário estará preso pelos próximos anos. A quem recorrer? A maioria dos mutuários não sabe a quem. Quem compra uma casa dessas só quer saber de apresentar os papéis, assinar o contrato e mudar-se para fugir do aluguel. Com o passar do tempo, o mutuário acaba se acostumando com os problemas que imóvel apresenta e reza todos os dias por uma solução mágica que melhore sua condição de habitabilidade, sabedouro de que se deixar de pagar as prestações a CEF, na grande maioria é ela o agente financeiro, entrará com uma ação de execução do contrato e levará o imóvel a venda. Dessa forma, acredito que em um curto espaço de tempo o judiciário federal estará abarrotado de processo de revisão dos financiamentos feitos através do sistema Minha Casa Minha Vida. Acredito que nessa fase o governo, tentando mostrar competência, criará uma vara federal para julgar as ações do programa. Lógico que sem provê-la de servidores. Fará um remanejo retirando servidores das varas previdenciárias para as novas criadas. Afinal a previdência não necessita de pressa. Para que o brasileiro necessita de aposentadoria e auxílio doença. O Judiciário ficará mais emperrado e a solução somente não virá por esse motivo. O governo dirá que não é culpa sua, afinal está nas mãos da justiça. Por isso meu caro mutuário, já vá trocando o nome no seu carnê. Escreva lá bem grande: MINHA CASA MINHA DÍVIDA
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
ADOTE UM NEGATIVO
Hoje é início de mês e o meu salário, ou melhor, remuneração, pelos trinta dias trabalhados no mês anterior já se foi. Inteirinho. Olhei no extrato para ver se não havia engano e encontrei a triste realidade: saldo negativo. Ou como preferem alguns, saldo ascendente ao contrário. Tipo no futebol a tabela do Z4, aqueles que serão rebaixados.
Já pensei até em conversar com meu gerente para conseguir uma remuneração do meu negativo, mas o que ele conseguiu foi aplicar uma remuneração invertida, ou seja, que eu deveria pagar ao banco. Pensei como pode. Trabalhei 22 dias, oito horas por dia, e em menos de cinco dias, com uma hora por dia gastei tudo que ganhei. Ingrata essa fórmula de remuneração do trabalho. Deveria ser ao contrário. Trabalharíamos cinco dias e gozaríamos o restante. Tentei um consolo, pensar que dinheiro não é tudo na vida, existem coisas melhores para aproveitar. Não consegui. Acho que por que sou capitalista e gosta das coisas boas da vida que são pagas. Já tentei inclusive um trabalho extra, mas não consegui seguidores e ainda perdi mais um pouco do meu pequeno capital. Não tinha jeito para a coisa. Imaginei que poderia ter sido jogador de futebol o artista de novelas, afinal eles ganham tanto. Desisti do futebol, afinal jogava de goleiro e era frangueiro. Na novela nem tentei. Apesar de todo esse esforço meu extrato continuava inerte, crescendo que nem aipim. Um amigo me indicou a bolsa de valores, mas com a ressalva de somente aplicar aquilo que estivesse sobrando. Como não tenho nada sobrando, mas sim faltando, passei a vez. Procurei um auxílio especializado. Um analista, que mais parecia uma calculadora, somou os meus rendimentos e as minhas contas e chegou à seguinte conclusão: que eu ganhava menos do que gastava. E o desgraçado ainda me cobrou para dizer algo que eu sabia. E com o ar superior ainda disse que eu deveria economizar. Mas economizar como, tinha filho na faculdade, uma prestação no Minha Casa Minha Vida, uns crediariozinhos, o supermercado, afinal alguma coisa teríamos que comer além de beber água. Sem contar água e a luz. Não, não tinha como economizar. Pensei em fazer um seguro de vida, mas o gerente me alertou que em casos de suicido o banco não pagava a apólice. Não tive outra escolha. Adotei o negativo como se fosse um filho. Afinal um a mais na casa não faria diferença.
Todo mês eu pagava a sua única prestação, aqueles módicos jurinhos, e ele ficava quietinho sem reclamar. Não reclamava da comida fria, da TV sem cabo, do futebol no domingo, da pelada com os amigos. Era o filho que pedi a Deus. Santo e bondoso negativo. Quando aprendi a conviver com ele, tudo mudou. Hoje sou feliz. Eu, minha esposa, e meus filhos Paulinho e Negativo.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Frio
Frio não pede licença,
entra por qualquer buraco,
e se instala até o fundo da nossa alma.
Gelado,
Congelante,
Frio apavorante.
Minuano, Serrano ou Litorâneo,
São todos iguais,
gelam dos pés à cabeça.
Não tem luva ou manta,
jornal ou fogueira,
que aqueça.
Nem o trago esquenta,
quando o danado entra,
Faz doer os ossos e trincar os dentes.
Frio,
amargo Frio,
rezemos que se vá.
Que venha a primavera,
florida, cheirosa,
oposto do emburrado, molhado,
inverno gelado,
que dificulta até o pensar.
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