Criei-me vendo filmes na televisão e no cinema. Adorava filmes policiais. Neles os bandidos sempre que eram presos saiam algemados. Aquelas cenas me traziam uma sensação de segurança. Colocadas as algemas, o bandido não era mais uma ameaça. A polícia havia cumprido seu papel e a justiça triunfara. Poderia até dizer que as algemas transmitiam a própria sensação da justiça, salvo para alguns mais sádicos em que elas transmitem sensação de prazer. Como não faço parte destes fico com a primeira. Mas esta sensação de justiça, aquele último resquício, parece estar com os dias contados para uma parcela da população. E não é preciso nem responder para qual. O amigo que está lendo este modesto texto e não foi afortunado pelo destino com cifras polpudas ou amigos influentes continuará a usá-las caso cometa algum ilícito penal. No chavão popular, um crime. Mas para a pequena parcela afortunada da sociedade algemas somente serão usadas nas alcovas íntimas, onde não trarão sensação de justiça, mas sim, de delícia. Sim, por que agora, antes de algemar o bandido, a polícia deverá perguntar qual a sua posição social. Se for do alto clero, cuidado. As algemas podem sair dos braços do algemado para os do algemante num piscar de olhos. Não é brincadeira. Quem dera fosse. Hoje mesmo li no jornal que o Ministro da Justiça solicitou que a polícia explicasse se as algemas foram usadas de forma correta. Caso for constatado o uso incorreto das algemas, o policial que fez uso delas erroneamente poderá responder. O que me intriga nisso tudo é que nunca vi um Ministro da Justiça solicitando explicações à polícia quando da prisão do Zezinho da vila. Nesse tasca a algema e pronto. Afinal as algemas e o código penal foram feitos sob medida para ele. Por isso digo que se vai algemar, pergunte antes quem ele é. Se não tiver certeza, guarde-as para usar com a amada. É mais seguro.

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